AUTISMO EM GOIÂNIA

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PALAVRAS DA FONOAUDIÓLOGA E MÃE MARILUCE

Eu não vou mudar meu filho porque é autista; eu prefiro mudar o mundo, e fazer um mundo melhor; pois é mais fácil meu filho entender o mundo, do que o mundo entender meu filho.

ESTOU SEMPRE NA BUSCA DE CONHECIMENTOS PARA AJUDAR MEU FILHO E PACIENTES. NÃO SOU ADEPTA DE NENHUM MÉTODO ESPECÍFICO, POIS PREFIRO ACREDITAR NOS SINAIS QUE CADA CRIANÇA DEMONSTRA. O MAIS IMPORTANTE É DEIXÁ-LOS SEREM CRIANÇAS, ACEITAR E AMAR O JEITO DIFERENTE DE SER DE CADA UM, POIS AFINAL; CADA CASO É UM CASO E PRECISAMOS RESPEITAR ESSAS DIFERENÇAS. COMPARAÇÃO? NÃO FAÇO NENHUMA. ISSO É SOFRIMENTO. MEU FILHO É ÚNICO, ASSIM COMO CADA PACIENTE.
SEMPRE REPASSO PARA OS PAIS - INFORMAÇÕES, ESTRATÉGIAS, ACOMODAÇÕES E PEÇO GENTILMENTE QUE "ESTUDEM" E NÃO FIQUEM SE LUDIBRIANDO COM "ESTÓRIAS" FANTASIOSAS DA INTERNET. PREFIRO VIVER O DIA APÓS DIA COM A CERTEZA DE QUE FAÇO O MELHOR PARA MEU FILHO E PACIENTES E QUE POSSO CONTAR COM OS MELHORES TERAPEUTAS - OS PAIS.

Por Mariluce Caetano Barbosa




COMO DEVO LIDAR COM MEU FILHO AUTISTA?

Comece por você, se reeduque, pois daqui pra frente seu mundo será totalmente diferente de tudo o que conheceu até agora. Se reeducar quer dizer: fale pouco, frases curtas e claras; aprenda a gostar de musicas que antes não ouviria; aprenda a ceder, sem se entregar; esqueça os preconceitos, seus ou dos outros, transcenda a coisas tão pequenas. Aprenda a ouvir sem que seja necessário palavras; aprenda a dar carinho sem esperar reciprocidade; aprenda a enxergar beleza onde ninguém vê coisa alguma; aprenda a valorizar os mínimos gestos. Aprenda a ser tradutora desse mundo tão caótico para ele, e você também terá de aprender a traduzir sentimentos, um exemplo disso: "nossa, meu filho tá tão agressivo", tradução: ele se sente frustrado e não sabe lidar com isso, ou está triste, ou apenas não sabe te dizer que ele não quer mais te ver chorando por ele.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Como Começar a Usar o PEC's




PASSO 1 -
As instruções que me foram dadas pela professora com treinamento no “Teacch” e pela fonoaudióloga da primeira escola que meu filho freqüentou são as seguintes:
Eu deveria começar utilizando a foto do PECS de um biscoito-sempre atrativo. O PECS deve ser utilizado junto com a fala e a linguagem dos sinais. Na linguagem dos sinais eu usava “parar”, “esperar”, “não”, “acabou” (no sentido de terminar), “comer” “ajuda”. Fui introduzindo outros sinais como “ir ao banheiro”, “desculpa”, “por favor”. Quando se usa a foto não há necessidade de se utilizar a linguagem dos sinais, só a fala basta. No momento em que o autista começar a usar corretamente oPECS, (mostrar a foto do biscoito), o biscoito deve ser dado imediatamente, não importando horários convencionais para a alimentação. No caso do autista não gostar de biscoito, usar a foto de algo que realmente lhe interesse (brinquedo, TV, etc.). Outras fotos só devem ser introduzidas após o autista entender o processo, ou seja: pegar a foto deixada ao seu alcance e mostrá-la e, com isso, obter imediatamente a resposta.
Seguindo as instruções comprei o biscoito preferido pelo Luke: chocolate recheado com baunilha, e deixei o pacote longe da vista dele. Plastifiquei a foto do PECS que representava o biscoito, prendi um imã atrás dela e a coloquei na porta da geladeira, tendo o cuidado de retirar da mesma todos os enfeites.
Fui até o Luke e perguntei se ele queria um biscoito. Não obtive resposta. Tomei-o pela mão e fomos até a geladeira, mostrei a ele a foto e disse apontando para ela, ”biscoito”, “biscoito”. Retiramos a foto da geladeira e dei a ele, imediatamente, o biscoito.
Quando ele terminou de comer um biscoito, repeti a operação, o que tornei a fazer algumas vezes durante o dia. No dia seguinte, Luke acordou pela manhã e foi diretamente até a geladeira de onde retirou a foto e me trouxe. Dois dias depois ele me mostrava a fotografia e falava “biscoito” sem necessitar mais de nenhum estímulo de minha parte.
Quando notei que ele já identificava a foto e a usava para pedir o biscoito, coloquei mais uma foto doPECS na geladeira. Esta representava o leite (que Luke também gostava muito) e repeti a operação. Em uma semana ele estava usando duas fotos para pedir leite e biscoito. Assim comecei a colocar outras fotos de sua preferência, uma de cada vez, e ele as usava para pedir o que queria, mas só repetia o nome do biscoito. Nos outros casos, ele tentava falar juntando a imagem e o som, construindo sua própria fala.
Após Luke estar dominando o uso das fotos de comida, fiz para ele um roteiro de seu dia, escovar os dentes, trocar de roupa, tomar café da manhã…




PASSO 2

Costurei em um cabide um pedaço de pano onde apliquei velcro, e coloquei no quarto dele (sempre no mesmo lugar e bem visível). O processo para ensinar o autista a usar o roteiro é o mesmo do biscoito. Comece pela manhã, ao acordar. Leve o autista até o roteiro e tire a primeira foto que representará a primeira atividade da manhã (como ir ao banheiro urinar ou trocar de roupa, escovar os dentes, etc). Se a primeira ação do dia for escovar os dentes vá ao roteiro tire esta foto falando “escovar os dentes”, mostre bem a foto e coloque-a em uma cestinha, ao lado ou embaixo do roteiro (isso mostrará à criança que é aquela a ação a ser feita naquele momento). Desta maneira, ela aprenderá a falar a palavra e a reconhecer a ação. Quando terminar de escovar os dentes volte ao roteiro e tire a foto da próxima ação, (por exemplo, trocar de roupa) e repita o processo. Será necessário manter este sistema até que o autista comece a compreender o que irá fazer.
Também é importante que, se o autista for à escola ou sair de casa por qualquer razão, ao retornar tenha o roteiro já pronto para o resto do dia. As fotos devem estar em seqüência, na ordem em que os atos serão realizados. Se, por algum motivo, não der para fazer uma ação ou se tiver que substituí-la, troque a foto. Com o meu filho eu trocava as fotos sem que ele percebesse, mas, como ele não se apegava muito ao roteiro, usei-o mais para o Luke começar a reconhecer as ações e a falar. Utilizei este sistema durante um ano e depois mantive todas as ações em seqüência, mas não precisava mais tirar as fotos, só ter o roteiro das ações.
Hoje em dia tenho o roteiro só com as atividades diferentes que ele irá fazer, como ir a piscina, ao médico etc.
Também mantenho um calendário semanal que mostra que iremos à praia no sábado, casa da vovó no domingo, ao dentista na terça, escola de segunda a sexta. Desta maneira ele não pede para ir à praia todos os dias. (Este método só deverá ser usado quando o autista dominar o significado inicial doPECS e tiver alguma noção de tempo: hoje, amanhã, etc.).
Mesmo sabendo e fazendo toda sua rotina, Luke muitas vezes se irrita por ser segunda-feira e saber que só irá à praia no sábado.
Acho o calendário importante para dar uma orientação e um sentido de organização ao meu filho e, por isso, continuo trabalhando com ele.
Começamos com o calendário só há alguns meses. Foi necessário porque ele queria ir à praia todos os dias.




PASSO 3

Depois que começar a “Programação Diária”, o calendário, introduza as fotos das ações que serão praticadas na rua, como ir ao supermercado, voltar para casa, ir ao shopping, andar de carro ou ônibus, ir à Igreja, à casa da vovó, etc.
Nunca use a foto de sua casa para representar outra casa (da vovó, ou amiga), pois isso pode gerar confusão: o autista pensará que irá à sua casa e você quer dizer que a casa da vovó. Use outra foto doPECS para representar as outras casas e, se não tiver, tire a foto da casa da vovó ou da tia, amiga etc. É sempre aconselhável usar as fotos do PECS e evitar outras convencionais porque elas podem desviar a atenção do objetivo principal, uma vez que elas têm cores, brilho e outros detalhes que podem distrair a atenção do autista. Mas, se não encontrar uma foto do PECS que represente o que deseja use a foto convencional ou tirada por você.
Antes de sair de casa tenha sempre a programação completa e em seqüência (como ir ao carro, biblioteca, carro, supermercado, carro, voltar a casa). O procedimento é o mesmo: retire a foto do carro e fale “carro” imediatamente vá ao carro. Depois do autista estar no carro retire a próxima foto do roteiro ex: ir a biblioteca - retire a foto coloque dentro do roteiro e vá à biblioteca.
No roteiro que eu construí só cabiam 4 ou 5 fotos na frente do fichário que usei. Quando chegava na penúltima foto eu arrumava a seqüência novamente se tinha que fazer outras coisas na rua. A única foto que pode acabar o roteiro é a da sua casa onde haverá um outro roteiro esperando pelo autista.
Este método ensinará as palavras (falar) e a reconhecer as ações e ajudará, no futuro, o autista saber aonde vai e, assim, evitar ansiedade.
Não preciso mais usar este roteiro para a rua (usei-o por 2 anos). Hoje em dia meu filho entende quando digo aonde vamos. Mas eu falo sempre: vamos primeiro ao banco depois ao shopping (às vezes tenho que levantar a mão esquerda e dizer primeiro ir ao banco ai levanto a direita depois ao shopping, isso o ajuda a entender melhor, como se estivesse segurando uma bandeja), porque ele pode ficar aborrecido pelo fato da primeira ação não ser aquela que lhe é mais agradável. Com isso, ele vê que iremos ao shopping, mas primeiro temos que ir ao banco.
Também faço isso se ele tem que fazer uma escolha e não consegue se decidir: pergunto se ele quer brincar com a bola usando a mão esquerda ou com o carrinho usando a mão direita e ele bate na mão que eu usei para representar o que ele deseja e fala a palavra “bola” ou “carrinho”. Isso é simples e o ajuda a ver que tem que se decidir.
Só uso o roteiro para rua quando viajamos - porque não é uma coisa que fazemos sempre -, para o aeroporto onde há muitas esperas, muita gente, barulho, e onde acontecem muitos imprevistos. Com isso conseguimos diminuir a sua ansiedade.



PASSO 4
Também use em casa um fichário. Na frente dele coloque duas linhas de velcro e dentro, usando velcro e fotos plastificadas do PECS, tenha um conjunto de atividades como pintar, desenhar, brincar lá fora, brincar com brinquedos, merendar, tomar algum líquido. Deixe esta pasta sempre no mesmo lugar (é melhor ter duas ou mais, uma em cada lugar da casa. Eu tinha duas, uma no quarto dele e uma na sala. Isso vai depender também do tamanho da sua casa).
Lembre-se que a única maneira do autista fazer estas atividades será usando as fotos para pedir a ação, então tire tudo do alcance dela. Assim, a única maneira de brincar de massinha deverá ser pedindo com as fotos. Para começar pergunte à criança o que quer fazer e, juntos, abram o fichário. Se ela não se decidir a escolher, ajude-a, colocando uma foto na frente do fichário, dizendo o nome e fazendo a ação que escolheram em seguida. Com isso o autista vai aprender a escolher e a fazer seu próprio roteiro diário.
Futuramente poderá usar uma linha de velcro na frente do fichário para representar a ação que o autista quer fazer e uma segunda linha para a que não quer fazer (isso só quando ela já estiver compreendendo o método e souber fazer a escolha).
Não uso mais este método. Usei-o por dois anos. Agora o Luke já se expressa, pede o que quer e escolhe o que gostaria e não gostaria de fazer sem nenhum problema. Contudo ele tem este fichário na escola por ser um ambiente bastante movimentado e diversificado e, desta maneira as fotos podem ajudá-lo em caso de necessidade.


PASSO 5

Esconda ou tire do alcance do autista todos os brinquedos. Tire uma foto de cada brinquedo e faça com elas um fichário. Para obter o brinquedo o autista terá que usar as fotos.
No começo, para ensinar o método, vá ao fichário com o autista e tire ou deixe-a escolher o brinquedo que deseja. Lembre-se de dizer sempre, usando a foto, o nome do brinquedo (ou dos brinquedos, uma vez que poderá ter mais que um, sem problemas). Coloque a foto na frente da pasta e, depois que acabar de brincar retorne a foto ao fichário. Tenha esta pasta (é aconselhável que tenha mais de uma), sempre no mesmo lugar – que deve ser de fácil acesso.
Eu tinha só uma, no quarto do Luke e meu filho trazia o fichário para mim, escolhia o brinquedo que desejava, eu colocava com ele a foto na frente do fichário e dizia o nome do brinquedo e eu lhe dava imediatamente.
Hoje não uso mais este método. Usei-o por dois anos, agora o Luke se comunica, pede para comprar um brinquedo, solicita ajuda para achar um brinquedo que perdeu, contudo, esse método foi muito importante para o seu desenvolvimento.

Outras maneiras de iniciar o PECS
v  Há uma outra abordagem possível: sentar-se em uma mesa frente a frente com o autista e, no centro da mesa disponibilizar um biscoito (foto e real). Ele deve pegar a foto para receber o biscoito. Lembre-se, você deve orientar o autista na ação, literalmente pegar na sua “mão” e dirigir o movimento. Explico-me, ele deve receber e dar a mesma foto, entretanto, essa situação só será possível se for direcionada.
v  Neste mesmo exercício há uma interessante variação. Acrescentar duas fotos, sendo apenas uma a representação do objeto desejado (dica importante, não use fotos que representem uma hierarquia de interesses, o autista não pode e nem deve ser confundido, use apenas uma foto que desperte o seu interesse. A outra não deve representar nada, deverá ser rejeitada).
Para esse exercício podemos utilizar a mesa, como descrito anteriormente, ou fixar as fotos na geladeira. O importante é promover o questionamento: - Você quer o biscoito ou a escova de dentes?Aguardar a resposta e, se caso ela não ocorrer, proceder como supracitado: pegar a foto na mão e executar o procedimento elucidado.
Uma interessante possibilidade é incluir mais uma pessoa, com o objetivo de assessorar o autista, nestes exercícios. Esse terceiro elemento será o responsável por orientar o movimento (pegar e doar a foto, qual mão utilizar, ou seja, um fiscal atuante).
v  Alguns autistas podem ter dificuldades em compreender o uso das fotos e, então, o objeto para eles poderá fazer mais sentido. O que pode ser feito é usar o objeto no começo e depois substituí-lo pela foto. Exemplo: use um copo para indicar bebida e cole a foto do PECS no copo. Depois, retire o copo e só use a foto.

v  Outros podem apresentar dificuldades motoras para pegar a foto. Nesses casos usar uma foto maior do PECS e colar a foto em uma cartolina para dar volume poderá ser uma solução.    



OUTRAS IDÉIAS

Todos estes passos foram fundamentais para o desenvolvimento do Luke. Ele aprendeu a falar, reconhecer com as fotos o que deveria fazer e, com isso, passou a ganhar independência, fazer escolhas. Hoje ainda uso PECS, mas com menos dependência. Tenho o roteiro de atividades do dia na escola, desta maneira ele não fica tão agitado, e uso um calendário em casa com as atividades semanais.
Também utilizo o PECS para disciplina. Tenho três fotos de cada ação errada como gritar, bater nos amigos, bater a cabeça. Se ele faz isso, tiro junto com ele a foto da ação e a colocamos no numero um; se tornar a praticar qualquer outro ato desta lista, colocamos a foto no numero dois e a terceira no três e ai ele receberá o castigo que consiste em sentar-se ao meu lado por um minuto. Algumas vezes contamos até 30, bem devagar (este método foi introduzido quando ele tinha três anos na escola que freqüentava, quando ele cuspia na classe, batia a cabeça, corria das pessoas e agredia os amigos. Quando ele recebia o castigo eu tinha que colocá-lo em uma cadeira e segurá-lo por trás, pois essa era a única maneira de fazê-lo ficar quieto. Eu contava até dez, mas a instrução que recebi foi de deixá-lo de castigo por três minutos. Achei muito tempo e notei que ele ficava muito nervoso. Hoje Luke senta-se ao meu lado ou em uma cadeira e conta quando eu mando, o que não dura mais que um minuto).
Para o meu filho esse método funciona, pois ele não gosta de castigo e tem interesse em agradar. Já uso esse método há três anos, mas ele pode não funcionar com todas crianças autistas. O importante é que pais e educadores compreendam cada autista, saibam suas necessidades, seu tempo, a maneira apropriada de corrigi-los e ajudá-los.
Também uso PECS como auxiliar para criar uma história com as fotos, ou quando ele tem dificuldade de me contar como foi o seu dia. Luke pode ter feito muitas coisas, mas só fala muito pouco e de uma só ação. Uso então as fotos para ajudá-lo a lembrar e contar o que fez. Também as uso para contar a ele sobre o meu dia, para mostrar atos que podem e não podem ser feitos, como deve agir e também para dividir coisas por categorias (como o que se come no café da manhã, no almoço, etc.).
PECS não tem limites para ser usado.  Seja criativo e observe os detalhes do comportamento do autista para obter os melhores resultados deste excelente instrumento de ajuda

MÉTODO FLOORTIME - PARA AUTISTAS

Uma delas, a “floortime” tem como meta ajudar a criança autista se tornar mais alerta, ter mais iniciativa, se tornar mais flexível, tolerar frustração, planejar e executar seqüências, se comunicar usando o seu corpo, gestos, linguagem de sinais e verbalização. Se a criança já souber o PECS e a linguagem de sinais, trabalhe com isso no “floortime”. Se a criança ainda não conhecer nem a linguagem de sinais e nem o PECS, não use o “floortime” para começar esses métodos, uma vez que “floortime” não é hora de ensinar, mas explorar a espontaneidade, iniciativa da criança e a verbalização. O mais importante é despertar na criança o prazer de aprender.

Faça da hora do floortime uma hora de diversão, risos, brincadeira e reconheça as oportunidades do dia a dia para solucionar problemas e conseguir suportar mudanças. Use isso na sua rotina trabalhe as expectativas da crianca, o que a criança faz por ela.

Um resumo do Floortime:

Metas especificas do comportamento e estratégias do “Floortime”


Metas para a criança ser mais alerta e consciente
Atividade “Floor time”
Alerta e consciente
· Notar que algo está diferente
· Diferenciar informações sensoriais como visão, audição e outras
· Reconhecer que está enfrentando um obstáculo
· Identificar o problema
Tomar Iniciativa
· Encorajar a ser menos passivo no ambiente
· Não deixar este processo seguir automaticamente
Ter mais flexibilidade
· Crie mudanças pequenas e problemas para que a criança note, inicie e tolere mudanças
· Ajude a aprender e a lidar com estas situações aprendendo a resolver problemas e receber informações
Manter seqüências por mais tempo, com mais ações complexas e comunicação
· Ter experiências que requerem dar vários passos para resolver problemas (usando uma forma de comunicação)
· Questionar para saber quem quer o problema resolvido
· O que quer resolver
· Quando querem isso resolvido
· Onde eles querem isso resolvido
· Porque eles querem isso resolvido
· Quem pode resolver
· Envolta ações, gestos e palavras
Encontrar maneiras para resolver problemas
· Ajude a criança no processo de solucionar o problema (não diga ou mostre o que fazer. Seja sutil: Onde devemos procurar, que ferramentas precisa).


¨ Sugestões para Brinquedos: comida de mentirinha, caixas de produtos de mercado como do cereal, sabão em pó, coisas de casa. Roupas e móveis para bonecos, roupas suas, carinhos, ferramentas de plásticos, animais de vários tipos, quadro negro, giz, tinta, massinha, telefone, bonecos de plásticos que representem a família, pessoas da comunidade (como policial, bombeiro), blocos, crayons, bola e muitos outros brinquedos que estimule a imaginação e criatividade.

¨ Comunicação: Depois de observar a criança você pode usar as palavras, gestos (apropriados), linguagem de sinais, PECS . Use o interesse dela criança para construir a comunicação. No começo a criança pode não aceitar esta troca, insista e, com o tempo, notará que ela não só aceita, mas que estabelece troca e crescimento na comunicação.


¨ Deixe a imaginação da criança fluir: Deixe a criança ser líder da brincadeira (Criar). O seu papel é o de (faça comentários instrutivos, perguntas que estimulem a criação e a compreensão dos sentimentos).


¨ Estratégias para intervenção: Não importa o tipo de brincadeira o importante é que seja iniciada pela criança. Não se intimide com a possível rejeição, tente novamente. Insista em uma resposta para as perguntas. Se ela está interagindo com uma atividade, não mude para outra. Explore aquela iniciada. Saiba diferenciar quando deve usar a brincadeira para ensinar ou só criar e explorar situações sociais.


¨ Oportunidades para praticar Floortime com a criança: Dê assistência para solucionar problemas do dia-a-dia e suportar mudanças (identifique estas oportunidades e as use). Sugestões: na rotina diária, nas expectativas, nas atividades que a criança faz, crie desafios com pequenos passos.


¨ Oportunidades do dia a dia para praticar Floortime com a criança: Tirar e vestir a roupa: ofereça a opção de fazer uma escolha e, se for muito difícil escolher sozinha (a camisa verde ou azul, calça branca ou preta), ajude-a. O mesmo para tirar a roupa, deixe escolher o que vai tirar primeiro.

Nas refeições converse com a criança sobre a comida (quem gosta de cenoura? O coelho, onde o coelho mora?), sempre assuntos relacionados.

No carro ou ônibus puxe assunto (olha o cachorro, ele faz “au-au”), cante músicas que a criança goste, insista na participação da criança.

Quando deixar a criança na escola dê o seu tempo e atenção. Pergunte sobre os projetos de arte na sala, os alunos e outras coisas que chamem a atenção. Mostre seu carinho e diga sempre “até-logo”. Ao retornar, pergunte como foi o seu dia (mesmo que normalmente não obtenha resposta) e deixe-a contar, de alguma forma, o que fez.

Na hora do banho brinque com a criança na banheira. No chuveiro cante uma musica que demonstre os passos para se lavar.

Leia um livro e ao ler preste atenção na emoção da criança. Faça perguntas, mostre situações, discuta a história. Aproveite para usar este momento para se aproximar, chame-a para se sentar no seu colo ou ao seu lado. Livros com figuras serão mais bem recebidos, pois despertam o interesse apelando para o sentido da visão. (Leia sempre, mesmo que ache que não está prestando atenção).

Na hora de dormir tente se aproximar, fazer carinhos; cante cantigas de ninar até a criança dormir. 

¨ Usar atividades do dia a dia para solucionar problemas:
¨ Mude de lugar a cadeira nas horas das refeições. Deixe-a resolver como pode comer (ter a idéia de pegar a cadeira).
¨ Deixe a jarra de água fechada quando colocar água (deixe-a perceber qual é o problema, se for difícil, sutilmente dê uma sugestão).
¨ Na hora de tomar banho não ponha água na banheira (deixe-o perceber o problema e tentar uma solução).
¨ Mude os livros, brinquedos, fitas de vídeo, sapatos, etc. de lugar. Coloque duas meias no mesmo pé e deixe a criança perceber que está errado.
¨ Coloque a meia na mão (deixe perceber que esta errada).
¨ Dê um sapato de adulto para usar.
¨ Deixe o copo virado para baixo ao oferecer bebida.
¨ Coloque brinquedos em uma caixa que a criança possa ver e tenha dificuldade de abrir.
¨ Misture o quebra-cabeça com outras peças para dificultar a sua solução.


¨ Estratégias para comunicação:
¨ Brincadeiras sensoriais como pular, fazer cócegas, balanço.
¨ Use brinquedos como causa e efeito (esconda e deixe aparecer depois como mágica. Faça cócegas com uma pena ou com algo delicado para estimular os sentidos).
¨ Brinque de esconde-esconde, brincadeiras com as mãos e que usem cantigas.
¨ Brinque de ping-pong usando a verbalização.
¨ Responda a qualquer som que a criança faz.
¨ Use gestos (apropriados), tom de voz, linguagem do corpo para acentuar as emoções.
¨ Aceite as frustrações da criança da mesma maneira que você aceita as emoções positivas.
¨ Ajude-a lidar com a ansiedade (separação, se machucar, agressão, perda, medo), solução de problemas. (A criança deve solucionar sozinha e você pode sutilmente ajudar, não solucione por ela).


¨ Estratégias para ajudar a criança a construir palavras simbólicas:
¨ Identifique situações do dia a dia que a criança reconheça e goste e mantenha brinquedos disponíveis para poder brincar sobre essas situações
¨ Crie situações de faz-de-conta que despertem o interesse da criança.
¨ Deixe a criança descobrir o que é real e o que é ilusão. Deixe-a tentar vestir a roupa da boneca mesmo que não caiba; vestir-se de pirata e faça de conta que ela é o pirata. Se estiver com sede convide para tomar um chá, sente-se e brinque pretendendo ser uma festinha. Quando ela estiver com fome brinque de cozinhar invente ou crie um banquete real com comida.
¨ Estimule brincadeiras em que pretenda ser outra pessoa, se subir na suas costas finja ser um cavalo, no sofá uma montanha, ao brincar na piscina faça de conta que esta é ser o mar.
¨ Use bonecos para representar a família.
¨ Crie símbolos para os objetos ao brincar: p. e., a bola é um bolo.
¨ Ajude a criança a elaborar as direções ao brincar: quem esta dirigindo; onde está indo; porque está indo embora (mantenha a conversa o máximo possível e use palavras como: quem, o que, onde, por que).
¨ Quando aparecerem problemas crie uma solução simbólica para ajudar a resolvê-los.
¨ Brincando crie situações como se a boneca estivesse doente fazendo de conta que você e a criança são médicos, usando brinquedos iguais aos instrumentos dos médicos para ajudá-la. Crie situações em que o carro quebre e use as ferramentas para concertar (se envolva na trama, encoraje a imaginação).
¨ Faça perguntas a bonecas.Crie obstáculos na brincadeira, mude sua voz para ser outra pessoa.
¨ Use figuras que a criança goste como Barbie, Mônica, Homem-aranha.
¨ Adote um tema para trabalhar.
¨ Trabalhe a fantasia e a realidade.Deixe a criança dirigir, a brincadeira não precisa ser real, mas dê encorajamento à lógica.
¨ Foque no processo, identifique começo, meio, fim. Qual será o seu personagem (chore quando se machucar, mostre felicidade em situasões felizes, dê risadas, faça “voz de mau”. Dramatize para caracterizar e reconhecer as emoções. Reflita idéias e sentimentos brincando e no dia-a-dia).
¨ Discuta situações abstratas como homem malvado, o mocinho da historia, separação, ciúme, medo, ódio e outros.
¨ Brincando simbolicamente e conversando, deixe a criança atuar para compreender e superar obstáculos e, assim, alcançar o controle das emoções e das novas experiências.


¨ Estratégias para desenvolver o pensamento abstrato:
¨ Siga a idéia da criança e ajude na construção desta idéia.
¨ Desafie a criança a criar novas idéias na brincadeira (“faz-de-conta” – “Pretenda”).
¨ Pratique e amplie a interação (conversas, gestos, verbalização).
¨ Mantenha uma conversa lógica sempre (carro, ônibus, comendo, tomando banho, até mesmo brincando).
¨ Estimule a compreensão da fantasia e da realidade.
¨ Use brinquedos como sendo reais (usar roupas fantasias).
¨ Brinque com fantoches.
¨ Crie uma situação segura para brincar de agressão e poder.
¨ Reconheça medo e evite certos sentimentos envolvendo-os em temas e caracteres.
¨ Durante a brincadeira e conversa siga o começo, meio e fim da História (a idéia),
¨ Identifique problemas para serem resolvidos, motivos e sentimentos (aceite todos os sentimentos e encoraje a ênfase).
¨ Escolha livros para ler que tenham temas, motivos e problemas resolvidos. Discuta o que acontece e os sentimentos, pergunte porquê e as opiniões.
¨ Encoraje pensamentos abstratos.
¨ Compare e contraste diferentes idéias,
¨ Reflita os sentimentos com expressões.
¨ Use visualização (fotos, linguagem de sinais).
¨ Evite mecanismos prontos, fragmentos, questões acadêmicas (seja criativo),
¨ Tome a posição de ator, represente a família.
¨ Se envolva no drama, seja um personagem, fale com as bonecas faça perguntas mantenha uma conversa.


¨ Estratégias para desenvolver habilidades motoras:
¨ Encorajar desfazer (desconstruir coisas, idéias, etc.).
¨ Mover objetos em uma linha.
¨ Cobrir objetos desejados.
¨ Montar errado um quebra-cabeça.
¨ Colocar um brinquedo dentro de outro brinquedo.
¨ Mudar o brinquedo do último lugar em que a criança o colocou.
¨ Agir sempre de forma intencional e simbólica.
¨ Segurar um brinquedo com a figura de um animal e passear por outros lugares com ele.
¨ Brincar com tamborim (este tipo de movimento é muito estimulante).
¨ Brincar com carrinho roda, levar o carrinho para a garagem.
¨ Brincadeiras que usem as mãos (a canção da arranha, p.ex., e outras).
¨ Criar soluções a problemas que requerem vários passos para serem resolvidos.
¨ Colocar um objeto desejado dentro de uma caixa dificultando a sua abertura.
¨ Consertar brinquedos usando ferramentas de brinquedo.
¨ Criar obstáculos para criança pegar um objeto ou colocá-lo na posição correta: dê um livro para ler no lado ao contrário, um jogo que não funcione, sente-se no lugar favorito dela, tente chegar primeiro ao lugar que ela quer ir.
¨ Colocar um objeto dentro da sua mão e deixar a criança escolher a mão em que acha que está o objeto.
¨ Colocar fotos de revistas (mostre situações sociais) no nível dos olhos da criança Mude sempre as fotos, espalhe-as pela casa.
¨ Encorajar investigação de pistas e sinais.
¨ Usar sugestões indiretas (cadê você?).
¨ Arremessar uma bola em uma cesta.
¨ Modelar/mediar uma seqüência do que se deve fazer.
¨ Planejar suas idéias - conversar sobre o que a criança necessita para o seu dia.
¨ Guardar os brinquedos depois de brincar. (Noção de ordem).
¨ Desafiar, apresentar razões, negociar.
¨ Brincar interativamente. (Música use as mãos).
¨ Brincar de procurar o tesouro e use um mapa que explore o visual, verbal e as pistas.
¨ Brincar com jogos cognitivos. (Parque, cozinhar). Atividades que usem as artes e manufaturas (corte e cola, pinturas, etc.).
¨ Encorajar atividades atléticas (futebol, natação, ginástica e outros).
¨ Estratégias para processar dificuldades:

Ação da criança
Solução para o adulto
Evitar algo, ir para outro lado.
§ Persista na ação
§ Trate-a como intencional
§ Brinque de abstração
§ Atraia com “mágica”
§ Insista em uma resposta
Ficar parado ou não sabe o que fazer
§ Dê destinação
§ Use objetos de interesse
§ Amplie o uso dos objetos
§ Dê um outro sentido, use pistas “Começar, preparado, vai”.
Usar roteiro – ações repetidas (sempre a mesma história)
§ Participe
§ Ofereça um outro roteiro
Perseverante
§ Peça para ter a sua vez
§ Brinque, participe, imite, ajude.
§ Interaja
§ Pergunte “quantas vezes mais?”.
§ Selecione uma hora para ser “especial” e fazer estas atividades
Protesta
§ Fique triste
§ Faca de conta que não compreende
§ Restabeleça a comunicação
§ Explore alguns brinquedos (Super-homen, Barbie).


Rejeita, recusa.
§ Aumente as possibilidades de brincadeiras
§ Dê mais tempo
Não diz coisa com coisa
§ Insista em uma resposta
§ Note a troca
§ Termine o assunto
Faz birra, puxa, bate.
§ Providencie pistas afetivas (oh não!) para que a criança se regule.
§ Imponha limites
§ Recompense o bom comportamento

Como Luke e eu praticamos o “brincar e aprender”

Já praticava alguns métodos do “floortime” antes de conhecer esta abordagem. Introduzi um horário do dia para ser dedicado só ao “floortime” e este horário depende do meu dia-a-dia. Se estiver trabalhando fazemos “floortime” à noite e, no fim de semana, uso o método algumas vezes durante o dia. Como as oportunidades de praticar essa brincadeira educativa são muitas, a exploramos durante o nosso dia, espontaneamente fazendo perguntas, sutilmente dando sugestões. Quando estamos no carro sempre acho algo que o interesse e puxo conversa sobre este assunto. Cantamos as músicas que ele gosta. Na hora do banho e de escovar os dentes usamos música e PECS para ele realizar as seqüências sozinho. Na hora de dormir lemos um livro e discutimos a historia (tenho que fazer perguntas: o que é isso, o que você acha que vai acontecer) se eu não estimular, a conversa será curta, pois suas respostas são muito diretas.

As brincadeiras são sempre iniciadas por ele e sutilmente, sem tirar a sua espontaneidade e criatividade, apresento uma situação social que seja um problema para a gente, como ficar em fila no supermercado, p. ex., e trabalhamos isso. Outro exemplo: ele adora brincar de massinha e deixo que ele crie com isso o que quiser. Ele sempre faz animais. Então, eu crio situações como mercado e o ursinho deve esperar na fila a sua vez e o convido a brincar comigo.
Exploro muito o visual. Para ensinar as cores usava muitos jogos e brinquedos que abordam este tema. Na parede pregava um papel com uma cor (cortado em forma de nuvem para não confundir com formas geométricas), quando ele passava a nomear aquela cor eu colocava outra nuvem de outra cor. Com as formas geométricas segui o mesmo processo: usei um papel preto para não confundir com as cores e as formas geométricas. A cor preta foi à última que introduzi por que trabalhei estes dois conceitos (cor e formas geométricas) embora em horas separadas, no mesmo dia. Luke não levou muito tempo para aprender, mas foi trabalhado algumas vezes ao dia.
Tenho pela casa materiais variados e, como ele está aprendendo a ler, escrevo nas coisas seus nomes (parede, cama, TV, armário, etc.). Criamos jogos que explorem este assunto.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Estudo sobre câncer se torna esperança para crianças com autismo - Proteína GRP

Pesquisa era sobre potencial tratamento oncológico, mas, de forma incidental, levou cientistas a resultados promissores para pacientes que sofrem de transtornos neuropsiquiátricos

23/03/2015 | 06h02
Estudo sobre câncer se torna esperança para crianças com autismo Diego Vara/Agencia RBS
Ambulatório do ClínicasFoto: Diego Vara / Agencia RBS
Um achado incidental em uma pesquisa relacionada ao câncer se transformou em esperança para as famílias de autistas. Em curso há três anos no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), o estudo — inicialmente destinado a avaliar uma nova e potencial estratégia de tratamento oncológico — levou os cientistas a tomar o caminho de outras áreas da medicina, alcançando resultados surpreendentes e promissores para pacientes que sofrem com transtornos neuropsiquiátricos de desenvolvimento.
Gilberto Schwartsmann, chefe do Serviço de Oncologia, e Rafael Roesler, responsável pelo Laboratório de Pesquisas em Câncer, investigavam os efeitos de uma substância — relacionada à produção de secreção ácida no estômago — capaz de inibir o crescimento de tumores. No curso dos experimentos, perceberam efeitos em processos que envolvem comportamento social e memória de experiências afetivas.
A partir desta etapa, os pesquisadores rumaram para a neuropsiquiatria e a análise do cérebro, contando com Rudimar Riesgo, chefe da Unidade de Neuropediatria. No total, 23 pacientes já foram testados.
O autista costuma apresentar dificuldades de comunicação e interação social, estereotipias (movimentos repetitivos, como a agitação das mãos) e repertório restrito de interesses. A condição provoca intenso sofrimento e esgotamento físico e emocional de pais e demais cuidadores, que dispõem de apenas dois medicamentos específicos para tratar do autismo — a risperidona e o aripiprazol, atenuantes da irritabilidade.
As crianças selecionadas, com autismo de graus moderado e grave, receberam a proteína GRP em doses injetáveis durante quatro dias. O efeito da substância se prolongou por até duas semanas. Nesse período, os cientistas verificaram grande melhora na interação social, na comunicação, na irritabilidade e na hiperatividade.
— Trabalho há 24 anos com neuropediatria. A coisa funciona — empolga-se Riesgo.
O primeiro paciente a receber as doses foi um menino de quatro anos com compulsão por banho — tomava pelo menos sete por dia. Quando estava ansioso demais, tomava o caminho do banheiro, acalmando-se apenas depois de se colocar embaixo do chuveiro. O GRP fez com que cessassem os insistentes pedidos.
— Passo o dia com ele no banheiro. Ele grita se não vai — relatou a avó, responsável pelo garoto enquanto os pais trabalhavam, aos pesquisadores. — Faz quatro dias que ele não pede banho — completou, emocionada.
Outro sinal de eficácia também foi verificado. Habituado a jogar objetos para longe, o menino de repente passou a acarinhar um Papai Noel de pelúcia, colocando-o para dormir e cobrindo-o, justificando que o brinquedo estava com frio — comportamento identificado como uma possível manifestação de afeto, incomum em autistas.
As testagens prosseguiram com outras crianças, comparando-se o GRP com placebo, o que excluiria um efeito apenas casual. A análise se revelou positiva. Patenteada, a estratégia garante à equipe o reconhecimento pela descoberta. Agora buscam-se parceiros da indústria farmacêutica para produzir um medicamento de administração mais fácil e realizar estudos mais robustos.
— É uma das pesquisas mais fascinantes que já fiz. Estou com a sensação de abriremos novas perspectivas de pesquisa — prevê Schwarstmann.
Como foi a descoberta
> Os experimentos iniciais da equipe do Serviço de Oncologia do HCPA estavam focados na investigação da ação da proteína GRP, responsável pela produção de acidez no estômago. Essa mesma proteína era encontrada, em concentrações elevadas, em tumores malignos. O objetivo era identificar um potencial tratamento contra o câncer baseado no efeito inibidor da proteína.
> As descobertas levaram os pesquisadores a avançar para outras áreas. Eles observaram altos níveis da proteína que é ativada pelo GRP em regiões do cérebro envolvidas com emoções. Em testes com roedores, usando inibidores desta proteína, pôde-se reproduzir comportamentos que lembravam o de autistas. Daí, veio a ideia de fazer o contrário: estimular o efeito da proteína para beneficiar pacientes com doenças neuropsiquiátricas caracterizadas por sintomas de isolamento social e distúrbios do afeto.
> Pesquisas anteriores garantiam que a administração de GRP era segura em humanos, e o comitê de ética do hospital autorizou que fossem feitas as avaliações de modo cuidadoso, por etapas.
> Primeiro, realizou-se um estudo-piloto com três autistas — a estratégia funcionou para dois deles. Na sequência, foram testadas outras 10 crianças. Como a eficácia se confirmou, uma nova série de 10 pacientes foi avaliada, agregando-se o uso de placebo.
> No total, 23 pacientes foram observados. A maioria se beneficiou das doses injetáveis de GRP, com melhora em interação social, comportamentos repetitivos, comunicação, irritabilidade e hiperatividade. Passado o efeito, 10 a 14 dias depois, os pacientes retornaram ao comportamento anterior.
Entenda a condição
> O autismo é um transtorno de desenvolvimento que se manifesta, geralmente, antes dos três anos de idade. É comum os pais observarem alterações na criança a partir dos 18 meses, quando ela parece se "desconectar" do universo ao redor.
> Caracteriza-se por alterações na comunicação, no relacionamento interpessoal (pouca interação) e um repertório de interesses muito restrito, por vezes com a fixação em um único tema — dinossauros ou carros, por exemplo.
> Destacam-se também movimentos esquisitos e repetitivos do corpo, preferência pelo isolamento, intolerância ao toque ou a sons altos (a criança entra em pânico quando a mãe liga o liquidificador, por exemplo), caminhada na ponta dos pés, interesse maior por objetos do que por pessoas e fascínio por objetos que giram (ventilador de teto, roda de bicicleta). O primeiro sinal a despertar a preocupação dos pais costuma ser o atraso na fala.
> Mais da metade dos autistas apresenta déficit cognitivo, mas há também pacientes muito inteligentes e até superdotados.
> O autismo atinge cerca de 1% da população mundial

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